quando comecei a me locomover em São Paulo com bicicleta + transporte público

Posted on 19 de janeiro de 2012

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De fato, muitos motoristas de carro não respeitam a bicicleta, São Paulo é uma cidade hostil e as ladeiras de Perdizes são um problema. Também senti medo em boa parte do trajeto da eBike Store, pertinho de casa, até a Casa da Cultura Digital (CCD). Mas lembrei bastante de quanto medo senti da primeira vez que saí dirigindo um carro por São Paulo sozinha, indo do Parque Edu Chaves, no extremo nordeste da cidade, até o Jardim Bonfiglioli. Nunca fui uma rezadeira tão fervorosa como no trajeto motorizado cruzando Fernão Dias, Dutra, marginais e Raposo Tavares. Só rezando dei conta de me acostumar com o carro, o trânsito e minhas barberagens que, vamos combinar, não mudaram muito desde que tirei carta.

No trajeto de hoje, além de rezar mais que nos últimos três anos, recebi muitos sorrisos e comentários de apoio nas hostis avenidas Sumaré, Francisco Matarazzo e São João. Mais até que quando a barriga de grávida estava estourando e eu saia caminhando por aí. Dois meninos, de uns 20 anos, tiraram sarro de mim perto do West Plaza, rindo bem alto. “Gostaram?” eu gritei quando já não estava tão perto. “Não”, eles responderam rindo. “Que pena”, eu também ri. Dá pra entender os dois! Não é muito “normal” ver uma bicicleta laranja, que parece de criança, carregando uma gordinha de saia, capacete e cara de susto. Mas algumas pedaladas antes recebi um sorrisão acolhedor de um motoqueiro que me deu passagem, e outros cinco ou seis sorrisos solidários de homens e mulheres na Sumaré. E algumas pedaladas depois, uma senhora, que devia ter mais de 70 anos, fez sinal para eu parar e disparou várias perguntas: “Essa bicicleta é elétrica? É difícil de pedalar? Custou caro?” Ela me deu parabéns, disse que eu era linda e que combinava com uma bicicleta tão bela. E terminou: “Numa dessa acho que eu consigo. Aquela altona me dá medo de cair. Nessa dá pra por o pé no chão”. Nos despedimos felizes, e quando virei pra trás, depois de pedalar um pouco, ela tinha virado pra espiar também. Já na loja tinha pensado que o nome da bike era Bela ( Marcella Chartier, Luciana Scuarcialupi e Lia Coldbelli vão entender o motivo mais que ninguém 😉 , e nessa conversa o Bela ficou cravado de vez!

Chegando à CCD, a querida Liane Lira tirou a foto que postei no facebook e teve comentários e curtidas d@s amiguinh@s.  Mais incentivo e solidariedade acolhedores 🙂

De noite, saindo da CCD, estava garoando. Eu nunca tinha dobrado a bike, só tinha visto o Ricardo, que me atendeu tão bem na eBike Store, fazer isso uma vez. Pedalei até a Pacaembu, parei no ponto de ônibus na esquina com a Cândido Espinheira, e inicei a missão dobrar. As três pessoas que estavam no ponto vieram ajudar. No meio do processo, mais confuso e divertido a oito mãos, passou o Ana Rosa que sobe a Cardoso e as pessoas insistiram pra eu subir com elas e a Bela montada. Não! Agradeci bastante, disse que ia dar certo e que pegava o próximo. Um segundo depois chegou outro moço oferecendo ajuda, mais dois segundos e a Bela estava dobradinha 🙂 Logo o ônibus passou e eu, desajeitada até o úrtimo, contei com a paciência do motorista e do cobrador. Poucos minutos depois eu já estava montando a pequena pra pedalar mais um quarteirão até em casa.

Descobri que minha resistência física não é baixa. Eu simplesmente não tenho resistência alguma! Suei, cansei a valer e há uma hora a perna direita doiiiiia. Mas o óleo de arnica resolveu e eu tô TÃO, TÃO feliz!

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